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  • Foto do escritorTiago Rodrigues Benedetti

AS 3 MELHORES ESTRATÉGIAS DE ESTUDO DE ACORDO COM A NEUROCIÊNCIA

Atualizado: 11 de jun.

Estudar e aprender de acordo com o funcionamento do cérebro é o caminho para converter esforço em resultado e transformar estudo em aprendizagem. Mas o que as pesquisas e estudos na área da neurociência dizem sobre como devemos estudar?


As pesquisas dizem MUITAS coisas!


Mas diante de tanta coisa, o que é mais relevante? O que é mais impactantes em termos de estratégias? Segundo os autores do livro “Fixe o conhecimento” existem 3 estratégias que podem ostentar o status de melhores estratégias de estudo.


Vamos conhecer cada uma dessas estratégias?


1. Prática de recuperar informações

2. Prática distribuída de recuperar informações

3. Prática intercalada de recuperar informações


Abaixo, vou te apresentar cada uma delas, de acordo com o que é recomendado no livro “Fixe o conhecimento”.


1. PRÁTICA DE RECUPERAR INFORMAÇÕES


A prática de recuperar informações é a melhor estratégia de estudo, segundo alguns estudos. Prática de recuperar informações significa, em essência, aplicar testes para você mesmo, como uma forma constante de autoavaliação.


Recuperar conhecimentos e habilidades da memória por meio de testes, com esforço e sem consulta, deve ser sua estratégia de estudo principal, substituindo a releitura.


Como utilizar essa estratégia de estudo na prática?


Ao ler um texto ou anotação, faça pausas periódicas e, sem olhar o texto, faça perguntas avaliativas do tipo:


Quais são as ideias principais do texto?

Como organizar as informações em forma de tópicos?

O que eu já sabia disso?

Como associar isso ao que eu já sabia?

Como definir isso ou aquilo?

Como sintetizar essa ideia?


Você também pode utilizar perguntas e questões que aparecem ao longo do texto ou no final dos capítulos como uma forma de teste ou desafio mental, se forem autoaplicados. No fim das contas, use perguntas prontas ou gere você mesmo as suas perguntas e respostas ao longo do estudo. Reserve um tempo da sua semana para responder questões, testes e perguntas que você mesmo formulou. Faça isso para testar conteúdos recentes da semana e para testar conteúdos cumulativos das semanas anteriores.


Parece estranho, mas quanto mais dificuldades você enfrentar para recuperar da memória os novos aprendizados, maiores os benefícios desse esforço. Os erros cometidos servem para calibrar o que você aprendeu ou não aprendeu, não para te julgar nem para te desanimar. Após a leitura de um texto e a produção de anotações, resista a tentação de cair na prática de leitura e releitura, isso não te ajuda a aprender. O autoteste é bem mais poderoso que a releitura de textos e anotações.


Colocar em prática os seus conhecimentos e habilidades por meio de testes fortalece seu aprendizado e sua capacidade de conectá-lo aos conhecimentos prévios. O esforço de recuperar conhecimento aumenta a permanência deles na sua memória, bem como sua capacidade de recordá-los no futuro.


Uma dica prática é escrever perguntas que questionem o que você acabou de estudar. A cada página lida, faça uma listagem de perguntas. A cada bloco de texto, capítulo ou tópico, faça uma listagem de perguntas.


Inclusive agora, se você pudesse fazer 3 perguntas para testar a sua compreensão desse texto que você acabou de ler, que perguntas você faria a si mesmo como autoavaliação?


2. PRÁTICA ESPAÇADA DE RECUPERAR INFORMAÇÕES


Prática espaçada é uma das mais poderosas estratégias de estudo, segundo a neurociência. Prática espaçada de recuperar informações significa estudar um conteúdo mais de uma vez, mas de modo escalonado, deixando um tempo considerável entre as sessões de prática.


Isso significa “distribuir” as questões de um conteúdo ao longo de tempo em vez de fazer tudo de uma só vez.


Como utilizar essa estratégia de estudo na prática?


A prática espaçada envolve gestão de tempo e planejamento. Ao estudar um conteúdo pela primeira vez, estabeleça um cronograma de momentos para trabalhar com testes e questões, distribuindo essas questões ao longo do tempo. Quanto tempo? Depende da natureza do conteúdo.


Novos conteúdos estudados talvez precisem ser revisados em um ou dois dias após o primeiro contato, se possível. Organize-se e reserve momentos ao longo da semana para resolver questões de conteúdos já estudados, para manter contato com esses conteúdos por meio da resolução prática de questões - reserve pequenos espaços de tempo ao final de um dia de estudo para resolver questões de conteúdo de uns dias atrás para avançar sem esquecer do que ficou para trás, mantendo seu conhecimento gradualmente acumulado por meio dessas revisões rápidas.


No sábado resolva questões dos conteúdos dessa semana, no domingo resolva questões sobre os conteúdos acumulados das três ou quatro semanas. Em essência basta você distribuir as questões dentro de um espaço menor de tempo no começo e depois vá distanciando esses intervalos cada vez mais.


Ou seja, em vez de fazer todas as questões possíveis sobre um conteúdo no primeiro contato, distribua essas questões ao longo do tempo. Veja esse exemplo:


Imagine que hoje você estudou um novo conteúdo e tem pela frente uma lista de 35 questões. Faça 15 questões hoje, mais 5 daqui uns dois dias, depois mais 5 no sábado e deixe as demais como “sobras” para os domingos, até “gastar” todas as 35 questões.


Qual é o fundamento disso tudo? A nossa intuição nos diz que a repetição simples, bruta e concentrada num único momento é mais efetiva para a memória. No entanto, o estudo distribuído ao longo do tempo é uma forma de repetição mais efetiva, se feito por meio da prática de recuperar informações.


Se você usa o autoteste e questões como estratégia de estudo e espaça suas sessões de estudo a fim de ocorrer um pouco de esquecimento entre as práticas, você terá que se esforçar mais para lembrar do que já estudou e recarregará a informação da memória de longo prazo, favorecendo a aprendizagem.


Sabe aquelas 3 perguntas que você fez sobre o item 1 desse texto? Experimente responder elas novamente daqui uns dois dias. Depois disso, responda essas questões no sábado ou domingo que vem e aproveite para escrever mais perguntas. De vez em quando, volte nessas perguntas e tente respondê-las outras vezes. Fazendo isso, o conteúdo estudado certamente se tornará inesquecível.


3. PRÁTICA INTERCALADA DE RECUPERAR INFORMAÇÕES


Prática intercalada é uma das formas mais efetivas de organizar seus estudos, segundo a neurociência. Prática intercalada significa diversificar o estudo de disciplinas diferentes, estudando blocos intercalados em vez de concentrar todo seu tempo de estudo em um único conteúdo ou disciplina.


Ou seja, em vez de organizar seus estudos em blocos únicos e focar o tempo todo em um único bloco, é mais efetivo transitar entre disciplinas e conteúdos diversos, para gerar mais esforço de aprendizagem.


Como utilizar essa estratégia de estudo na prática?


Imagine que você estudou o tema bioenergética e tem 10 questões sobre fotossíntese, 10 sobre respiração e 10 sobre fermentação.


Intercalar significa fazer 1 questão de fotossíntese, depois 1 de respiração, depois 1 de fermentação. Ou seja, em vez de fazer as suas 30 questões em blocos...


10 questões de fotossíntese

10 questões de respiração

10 questões de fermentação


...você intercala essa prática fazendo...


1 questão de fotossíntese

1 questão de respiração

1 questão de fermentação

1 questão de fotossíntese novamente


... e aí vai intercalando até fazer todas as 30 questões.


O estudo intercalado também pode ser aplicado na organização das disciplinas que você estuda em um dia.


Ao estudar biologia (natureza), química (natureza) e geografia (humanas) em um dia, você pode intercalar estudando biologia (natureza), depois geografia (humanas) para daí estudar química (natureza) intercalando as disciplinas de natureza, em vez de estudar as duas em um único bloco de natureza.


Sem intercalação

Biologia (Natureza)

Química (Natureza)

Geografia (Humanas)


Com intercalação

Biologia (Natureza)

Geografia (Humanas)

Química (Natureza)


Você também pode aplicar a intercalação nas revisões práticas de final de semana. Ao revisar vários conteúdos de várias disciplinas através da prática de questões, em vez de fazer todas as questões de uma disciplina para só depois fazer as questões de outra disciplina, intercale.


Faça listas com questões misturando disciplinas e conteúdos diversos. A sua intuição lhe diz que é melhor estudar em blocos de forma linear e dominar tudo relativo a um tipo de assunto antes de avançar para a prática de outro assunto, por causa da sensação de domínio. No entanto, a prática intercalada gera um esforço maior que fortalece a sua memória e aprendizagem, além de promover conexões inesperadas e insights.


Diversificar os tipos de problemas e de conteúdos melhora a sua capacidade de diferenciar um tipo do outro, bem como de identificar as características unificadoras dentro de um tipo. Diversificar melhora seu desempenho em avaliações porque desenvolve o seu discernimento.


O que você faria se tivesse 3 capítulos com 10 questões para estudar?

Qual a melhor forma de fazer essas 30 questões?


O ideal seria você fazer 1 questão do 1º Capítulo, depois 1 questão do 2º Capítulo, depois 1 questão do 3º Capítulo para daí voltar e fazer mais 1 questão do 1º Capítulo, e depois mais 1 questão do 2º Capítulo... e assim seguir até fazer todas as questões, mas de forma intercalada e diversificada.


Ah, gravei uma aula completa sobre o assunto, para aprofundar essa publicação. Assista!


E logo abaixo, tem o quadro-resumo que fiz durante a aula. Espero que te ajude, estudante!



FONTE

BROWN, Peter. ROEDIGER III, Henry. MCDANIEL, Mark. Fixe o conhecimento: A ciência da aprendizagem bem-sucedida. Editora Penso, 2018.


Se quiser buscar a informação original, esse conteúdo está disponível no livro a partir da página 158. Boa leitura!


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